Participei essa semana da 12ª edição do Fórum Internacional de Software Livre em Porto Alegre - RS. Dessa vez, os temas mais comentados foram AI5 Digital, Android, Dados Públicos, Computação nas nuvens, Ubuntu e HTML5.
Um assunto que acabaram tocando no FISL e que eu já queria ter comentado aqui no blog, mas não tive tempo, foi o post
"Software livre não nasce em árvores: Do colonialismo ao extrativismo digital" do Jomar Silva,
onde diz que os desenvolvedores de software livre do Brasil são grandes sanguessugas da comunidade e que não retornam códigos.
A vida corrida de um desenvolvedor
Minha visão é que sim, temos um problema para devolver código para a comunidade e que isso é uma questão que nos tira o sono. O problema é que, muitas vezes, isso não é problema somente do desenvolvedor, muito pelo contrário, ele até se esforça para liberar um código desenvolvido, mas que, pela correria do dia a dia, isso fica inviável, já que tem que entregar o mais rápido possível o projeto para seu cliente. Eu estou nesse grupo, trabalho tanto que as vezes tenho que virar noites para entregar projetos em seus prazos, e nunca sobra tempo para de parar, rever os códigos, melhorar, documententar e mandar para a comunidade.
O sentido do meu blog (esse) é exatamente disponibilizar códigos e ideias, mas podem ver que não me sobra tempo para cuidar dele.
Cultura das empresas
Existem várias empresas que usam softwares livre e não entendem como eles funcionam, existem vários desenvolvedores ou webdesign que usam software livre, entregam software livre para seus clientes e não sabem o que é o esse modelo. Conheço webdesigners que instalam wordpress, modificam, vende para seus clientes e acham um saco falar de software livre, na verdade odeiam esse assunto, talvez por desconhecimento.
Bem, mas eu queria falar sobre a cultura das empresas, é que elas não acham que contribuir com a comunidade é uma prioridade, pois querem que você comece outro projeto, por mais que você tenha virado noites terminando os projetos anteriores.
Falta de experiência com a arquitetura do software
Já vi várias pessoas programando em arquivos críticos do software, aqueles arquivos do núcleo dos sistemas. Essas melhorias podem ou não serem aprovadas pela comunidade, e, ainda, precisam de várias conversas com o grupo para defender uma proposta de alteração naqueles arquivos que são considerados uma chave do sistema.
Só para finalizar, não quero defender todos os desenvolvedores, acho que sim, temos um problema para devolver código para a comunidade, mas sei que a vida na área de desenvolvimento de software está difícil e que temos que trabalhar na defesa do modelo de software livre nas equipes e nas empresas. Só assim vamos garantir o retorno de código mais qualificado e de qualidade.
Discussões que não vi no FISL
Estava esperando algumas discussões, mas não rolaram nesse FISL, como por exemplo a discussão do Creative Commons no site da Cultura.gov.br, outro é a fusão da Nokia com a Microsoft, fazendo vários projetos da empresa em software livre acabarem, outro é o a comppra do Skype pela Microsoft. São vários assunto polêmicos que aconteceram esse ano e não tivemos um debate ou uma apresentação sobre esses assuntos.
Também não vi discussões sobre o futuro do LibreOffice e uma análise da continuidade do projeto, muito menos do Twitter optar por Java na sua arquitetura Rails e o tapetão das empresas contra o Android.
Falando em Android
Já o Android foi o "hot topic" do evento, qualquer palestra sobre o assunto deixava a casa cheia, impossível de entrar. Mesmo com esse problema, consegui assisti algumas e vi alguns números de crescimento da plataforma são impressionantes.
Eu mesmo vou começa a aprender essa plataforma, parece simples fazer algumas coisas. Vamos ver.
Ainda tivemos boas apresentações sobre dados governamentais públicos, mas é sempre aquela situação, ainda não temos boas referências do governo apresentando dados em formato para serem trabalhados, como o CSV.
O assunto mais comentado foi, claro, o AI5 digital, mas sem grande novidades, só a mesma posição do fisl de 2009.
Senti falta do pessoal do Rails, que esse ano não apareceram nas palestras.
É isso. Amanhã volto para casa.